Autor: David Builes
Tradução: David Ribeiro

1. Introdução

Tudo existe da mesma maneira que todo o resto? Os monistas quanto ao ser (ou, abreviadamente, "monistas") dizem que "sim", e os pluralistas quanto ao ser (ou, abreviadamente, "pluralistas") dizem que "não". O pluralismo foi defendido (pelo menos supostamente) por figuras notáveis ​​como Aristóteles,1 Aquino,2 Descartes,3 Russell (1912: 89–100), Moore (1903: 29, 111), Husserl (2001: 249–50) e Heidegger (1962). Por exemplo, Bertrand Russell pensava que a relação "ao norte de" existe de uma maneira diferente daquela como Londres existe. Aquino afirmava que Deus existe de uma maneira diferente de suas criaturas. Aristóteles talvez pensasse que entidades em categorias diferentes existem de maneiras diferentes. Ainda hoje, muitos estudantes de graduação, em sua primeira aula de metafísica, tendem a pensar que os números existem de uma maneira diferente das mesas.

Trenton Merricks (no prelo) apresenta um dilema contra o pluralismo. Ele argumenta que ambas as alternativas do dilema são inaceitáveis ​​e que, portanto, o pluralismo deve ser falso. O objetivo deste artigo é duplo. Primeiramente, argumentarei que uma alternativa específica do dilema de Merricks não apresenta problemas para a versão contemporânea do pluralismo defendida por Turner (2010) e McDaniel (2009, 2010, 2017) e que, assim, o argumento de Merricks contra o pluralismo, tal como formulado, não é sólido. No entanto, minha segunda tarefa é apresentar um novo dilema contra o pluralismo que, quando combinado com os argumentos de Merricks, constitui um novo e poderoso desafio a todas as formas de pluralismo.

Antes de começar, vamos estabelecer uma notação. Para simplificar, seguirei Merricks ao considerar uma versão do pluralismo segundo a qual existem exatamente duas maneiras de ser, as quais simbolizarei como "1" e "2" (juntamente com os correspondentes "1" e "2"). Também acompanharei Merricks no uso ocasional das expressões "existir1" e "existir2". Por exemplo, talvez objetos concretos existam1 e objetos abstratos existam2.4 Tudo neste artigo (e no artigo de Merricks) pode ser generalizado para variedades de pluralismo com mais de duas maneiras de ser. Usarei os símbolos usuais ‘’ e ‘’ para representar a maneira genérica de ser do monista, da qual tudo (supostamente) desfruta.

2. O dilema de Merricks

O dilema de Merricks contra o pluralismo apresenta-se, em linhas gerais, da seguinte forma. Ou o pluralista afirma que tudo desfruta de uma maneira genérica de ser (além das maneiras mais específicas de ser), ou não.5

Merricks apresenta três críticas aos pluralistas que optam pela primeira alternativa do dilema, concordando que tudo desfruta de uma maneira genérica de ser. Primeiro, isso contradiz a motivação padrão para se adotar o pluralismo, a saber: a ideia de que, digamos, números e mesas não desfrutam de uma maneira semelhante de ser. Segundo, essa versão do pluralismo reforça uma objeção comum a essa doutrina. De acordo com essa versão, podemos dizer que algo existe1 se, e somente se, existe genericamente e é concreto, e que algo existe2 se, e somente se, existe genericamente e é abstrato. Visto que já podemos captar a suposta distinção oferecida pelas diferentes maneiras de ser utilizando apenas o ser genérico em conjunto com a distinção entre abstrato e concreto, postular diferentes maneiras de ser parece supérfluo. Terceiro, essa versão do pluralismo é incompatível com as motivações históricas para essa doutrina. Nas palavras de Merricks, uma visão pluralista que "implica que todas as entidades — propriedades, números, montanhas, Deus, criaturas, tudo — existem genericamente... está claramente em tensão com os tipos de visão que praticamente todos os pluralistas tentaram articular e defender" (12).

Quanto à segunda alternativa, Merricks argumenta que os pluralistas que não aceitam que tudo desfruta de uma maneira genérica de ser não conseguem formular sua própria visão. A ideia geral é a seguinte. Informalmente, o pluralismo de duas maneiras de ser afirma que tudo ou existe1 ou existe2, e que algo existe1 e algo existe2. Mais formalmente, a seguinte sentença expressa o pluralismo de duas maneiras de ser:

           (1)  x(1y(y=x) ou 2y(y=x)) e 1x(x=x) e 2x(x=x)

É crucial que o termo em itálico seja o quantificador genérico que abrange absolutamente tudo, incluindo coisas de todas as diferentes maneiras de ser. Sem a maneira genérica de ser, o pluralista poderia tentar algo como:

           (2)  1x(1y(y=x) ou 2y(y=x)) e 2x(1y(y=x) ou 2y(y=x)) e 1x(x=x) e 2x(x = x)

No entanto, (2) não captura o Pluralismo de dois modos de ser, uma vez que um pluralista de três modos de ser pode aceitar (2).7 Merricks examina várias maneiras diferentes de tentar formular o Pluralismo de dois modos de ser sem o quantificador genérico e argumenta que todas elas fracassam. A razão pela qual todas fracassam é que o pluralista precisa de algo como um fato de "totalidade". Para tomar um exemplo trivial, suponha que eu queira afirmar que existem exatamente dois tipos de cavalos: cavalos1 e cavalos2. Não posso simplesmente dizer que existem alguns cavalos1 e alguns cavalos2. Preciso dizer que todos os cavalos são cavalos1 ou cavalos2.

De qualquer modo, não contestarei a força do segundo dilema de Merricks. Acredito que Merricks levantou um ponto muito importante ao argumentar que o pluralista não pode expressar sua própria visão sem dizer que tudo desfruta de um sentido genérico de ser. No entanto, argumentarei que o primeiro dilema não apresenta problemas para as versões contemporâneas do Pluralismo.

3. Como o Pluralista deve responder

As versões contemporâneas do Pluralismo, descritas em Turner (2010) e McDaniel (2009: 305–10), são formuladas na estrutura teórica de Sider (2011). É uma ideia familiar, proveniente da obra de David Lewis e outros, que certos predicados são mais naturais do que outros. Um caso paradigmático é o fato de que "verde"(*green*) é mais natural do que "verde-azul" ou “verzul” (*grue*). Certos predicados — talvez aqueles da física fundamental — são perfeitamente naturais.

Segundo Sider, não precisamos restringir a discussão sobre naturalidade aos predicados. Podemos, por exemplo, perguntar se operadores modais ou temporais são fundamentais ou perfeitamente naturais. Turner e McDaniel descrevem o Pluralismo como a tese de que os quantificadores 1 e 2 são perfeitamente naturais. De acordo com essa versão do Pluralismo, o próprio mundo estabelece uma distinção fundamental entre diferentes modos de ser que o monista simplesmente não captura. Por outro lado, os monistas acreditam que o único quantificador perfeitamente natural é o quantificador genérico habitual, expresso por "". Diante desse quadro, fica claro como os pluralistas contemporâneos devem responder ao primeiro dilema de Merricks. Os pluralistas contemporâneos devem negar que o quantificador genérico seja perfeitamente natural; no entanto, devem ainda aceitar que tudo desfruta de uma maneira genérica de ser captado pelo quantificador genérico. A maneira genérica de ser simplesmente não é perfeitamente natural. Ela não "corta a natureza em suas articulações". Chamemos essa versão de pluralismo de "Pluralismo*".

Consideremos um caso menos metafísico. Suponhamos, como nos dizem os físicos, que todas as partículas sejam bósons ou férmions. Poder-se-ia pensar que ser um bóson é uma expressão perfeitamente natural e que ser um férmion também é uma expressão perfeitamente natural. No entanto, a noção genérica de ser uma partícula — isto é, ser uma partícula de um tipo ou de outro — provavelmente não é perfeitamente natural. Mas, claramente, existem partículas nesse sentido genérico! Além disso, note que ser "uma partícula de um tipo ou de outro" não é meramente a disjunção de "ser um bóson ou ser um férmion". Foi uma descoberta empírica substantiva que todas as partículas são bósons ou férmions, e não meramente uma estipulação definicional! Assim, tal como se deve pensar que existe algum sentido não fundamental e não meramente disjuntivo no qual existem partículas (genéricas), o Pluralista* deve aceitar que existe um sentido não fundamental e não meramente disjuntivo no qual tudo existe genericamente.

Essa visão está muito em sintonia com a perspectiva apresentada em McDaniel (2010). Nesse artigo, McDaniel explora o conceito de "característica análoga". Segundo McDaniel, estamos familiarizados com características que são "algo semelhante a propriedades disjuntivas, mas que não são meramente disjuntivas. Características análogas desfrutam de um tipo de unidade que falta às características meramente disjuntivas: elas são, para usar termos medievais, unificadas por analogia" (696). Considere o exemplo de ser saudável. Existem muitas maneiras diferentes de ser saudável. Para citar um exemplo de McDaniel: "Eu sou saudável, meu sistema circulatório é saudável e o brócolis é saudável" (695). Embora essas coisas sejam certamente saudáveis ​​de maneiras diferentes (assim como existem muitas maneiras de ser!), parece que temos uma compreensão de um conceito de ser saudável de modo genérico (assim como compreendemos a existência genérica!) que se aplica a todos esses exemplos. Note também que ser saudável não é algo meramente disjuntivo. Ou, pelo menos, não vejo nenhuma disjunção plausível que seja definicionalmente equivalente a ser saudável e que abranja tudo o que dizemos sobre a saúde. Em vez disso, possuímos o conceito de saúde genérica por meio de uma espécie de analogia com formas particulares de ser saudável. Para o Pluralista*, fazemos o mesmo em relação à existência genérica.

A resposta à terceira objeção de Merricks é semelhante. Segundo essa objeção, as teorias pluralistas existentes, desenvolvidas por figuras históricas proeminentes, são incompatíveis com a existência de um modo de ser compartilhado por tudo. Aqui, devemos fazer a mesma distinção aplicada à primeira objeção. Se essas figuras históricas sustentavam que não existe um modo de ser fundamental compartilhado por tudo, não há problema. Se sustentavam que não existe um modo de ser *não fundamental* compartilhado por tudo, então há um problema. Ou, talvez de forma mais plausível, algumas dessas figuras históricas rejeitariam, desde o início, a distinção entre o fundamental e o não fundamental. Certamente não posso arbitrar essa questão interpretativa aqui, mas não vejo por que os pluralistas contemporâneos deveriam se preocupar caso as teorias pluralistas históricas impliquem que não existe um modo de ser não fundamental compartilhado por números e mesas.

Por fim, considere a segunda objeção. Segundo ela, se o pluralista afirma que existe um modo de ser genérico compartilhado por tudo, então deveria afirmar que algo *existe* se, e somente se, *existe genericamente* e é concreto, e que algo *existe* se, e somente se, *existe genericamente* e é abstrato. Isso parece tornar supérfluas as distinções entre modos de ser. Em resposta, considere o exemplo da física mencionado anteriormente. Os físicos subscrevem o bicondicional de que *x* é um bóson se, e somente se, *x* é uma partícula e *x* é um não férmion. Da mesma forma, *x* é um férmion se, e somente se, *x* é uma partícula e *x* é um não bóson. Será que isso dá aos físicos alguma razão para duvidar da afirmação de que "ser um bóson" e "ser um férmion" são propriedades fundamentais, enquanto "ser uma partícula", "ser um não bóson" e "ser um não férmion" são não fundamentais? Certamente não. Bicondicionais, por si sós, nada dizem sobre questões de naturalidade.

4. Um Novo Dilema

Assim, os Pluralistas* parecem evitar o dilema de Merricks sem um custo excessivo. No entanto, penso que o Pluralismo* enfrenta um dilema diferente que não pode ser evitado tão facilmente.

Para apresentar o dilema, precisamos considerar duas teses distintas sobre fatos fundamentais, ambas defendidas em Sider (2011). Primeiramente, temos o seguinte:

Pureza: Fatos fundamentais contêm apenas noções fundamentais.

Essa tese é muito intuitiva. Em sua defesa, Sider escreve: "quando Deus estava criando o mundo, Ele não precisava pensar em termos de noções não fundamentais como cidade, sorriso ou doce" (106). De acordo com a Pureza, se alguém considera que expressões como "laptop", "Possivelmente..." e "guarda-chuva" não são noções fundamentais, então todo fato que as envolva deve ser não fundamental.

A segunda tese à qual recorreremos é a seguinte:

Completude: Toda verdade não fundamental vale em virtude de alguma verdade fundamental.

Sider escreve: "A Completude parece definir a fundamentalidade. Seria inviável dizer que o fundamental consiste apenas em um elétron: concebido dessa forma, o fundamental não poderia explicar a vasta complexidade do mundo que vivenciamos" (105).

É preciso dizer mais sobre a expressão "em virtude de" na tese da Completude. A formulação final de Sider para a Completude é: "Toda sentença que contém expressões que não 'cortam a realidade nas suas articulações' (*carve at the joints*) possui uma semântica metafísica" (116).8 Para Sider, uma semântica metafísica consiste em afirmações da forma: "A sentença S de L é verdadeira em L se e somente se...", em que [a expressão] denota um fato fundamental destinado a captar as condições de verdade de S (113). Por exemplo, a semântica metafísica para a sentença "existem cidades" terá, presumivelmente, a forma "xC(x)", em que "C" é um predicado complexo que descreve, com detalhes completos, o que é ser uma cidade em nível microfísico.

Podemos agora formular nosso novo dilema para o Pluralista*. Lembremos que os Pluralistas* subscrevem o seguinte:

          (1)  x(1y(y=x) ou 2y(y=x)) e 1x(x=x) e 2x(x=x)

Vamos nos concentrar na primeira conjunção de (1):

          (3)  x(1y(y=x) ou 2y(y=x))

Nosso novo dilema coloca simplesmente a questão: (3) é um fato fundamental? Acredito que tanto responder "sim" quanto responder "não" traz problemas para o Pluralista*. Se o Pluralista* responder "sim", terá de negar a Pureza. Se (3) é fundamental, então, pela Pureza, todas as expressões em (3) devem ser noções fundamentais. No entanto, o Pluralista* nega explicitamente que os quantificadores genéricos "" e "" sejam noções fundamentais. Considero a Pureza muito plausível; portanto, acredito que optar por esse caminho do dilema tem um custo elevado.

Optar pelo outro caminho entra em tensão com a conjunção da Pureza e da Completude. Suponha que o Pluralista* afirme que (3) não é fundamental. Pela Completude, (3) deve possuir uma semântica metafísica. Em outras palavras, deve existir alguma sentença ϕ que expresse um fato fundamental e capture as condições de verdade de (3). Além disso, devido à Pureza, tal sentença só pode conter noções fundamentais. Assim, em particular, ϕ não pode utilizar os quantificadores genéricos e ; pode utilizar apenas os quantificadores 1 e 2.

Portanto, o Pluralista* deve fornecer as condições de verdade para a afirmação de que tudo ou existe1 ou existe2, utilizando apenas noções fundamentais que não incluam a noção de existência genérica. Mas espere — essa é justamente a tarefa que Merricks argumentou que os Pluralistas não conseguem realizar! Todos os fatos sobre o que existe1 e como são as coisas que existem1, bem como todos os fatos sobre o que existe2 e como são as coisas que existem2, jamais serão capazes de dar conta fielmente das condições de verdade da afirmação de que tudo ou existe1 ou existe2. Pois todos os fatos sobre o que existe1 e o que existe2 são compatíveis com a existência de algumas coisas adicionais que existem3.

Se houvesse alguma sentença ϕ que expressasse fielmente as condições de verdade da afirmação de que tudo ou existe1 ou existe2 sem utilizar a noção genérica de existência, então o dilema original de Merricks não teria força alguma.9 Não haveria necessidade de o Pluralista aceitar uma noção de existência genérica e tornar-se um Pluralista* em primeiro lugar. Os Pluralistas poderiam simplesmente ter usado ϕ para expressar sua visão, sem precisar de qualquer noção genérica de existência.

5. Uma Visão Híbrida?

Argumentei que os Pluralistas* precisam abrir mão ou da Pureza ou da Completude. Em resposta, pode-se perguntar: será sequer possível que uma visão que reconhece múltiplas formas fundamentais de ser satisfaça a Pureza e a Completude? Poderia haver alguma outra visão — um Pluralismo** — que tenha sido negligenciada? Tecnicamente, existe tal visão. Considere uma visão — chamemo-la de Hibridismo — na qual tanto o quantificador genérico quanto os quantificadores especializados 1 e 2 são modos fundamentais de ser. Tal visão pode invocar quantificadores genéricos em fatos fundamentais e, portanto, não enfrenta violações da Pureza.

Essa visão é plausível? Um argumento forte contra o Hibridismo é que tanto o Monismo padrão quanto o Pluralismo padrão são estritamente melhores do que o Hibridismo em termos de parcimônia ideológica. O Hibridismo simplesmente possui estritamente mais noções fundamentais do que o Pluralismo padrão e o Monismo padrão.10

Em segundo lugar, penso que as três objeções de Merricks contra a primeira vertente de seu dilema original se aplicam com força total ao Hibridismo. Primeiramente, a ideia central (ou intuição) que favorece o Pluralismo — a de que o ser genérico é menos natural do que 1 ou 2, ou a de que existe apenas um sentido frouxo, obtido por analogia, segundo o qual podemos dizer que "Londres e a relação 'ao norte de' existem" — não sustenta o Hibridismo. Em segundo lugar, o Hibridismo incorre no custo de apresentar redundância em nível fundamental, visto que *x* existe1 se, e somente se, *x* existe e é concreto, e *x* existe2 se, e somente se, *x* existe e é abstrato. O hibridista pode escapar dessa redundância negando que "ser concreto" e "ser abstrato" sejam perfeitamente naturais. No entanto, para um pluralista de duas formas de ser, que pensa que o mundo se divide fundamentalmente em duas partes — o abstrato e o concreto —, é muito natural pensar que "ser concreto" e "ser abstrato" são perfeitamente naturais. Em terceiro lugar, nenhum pluralista histórico ou contemporâneo jamais endossou o Hibridismo. Em suma, a melhor resposta que o Pluralista* tinha para as três objeções de Merricks era enfatizar que o ser genérico não é fundamental. Uma vez que um pluralista chega ao ponto de afirmar que o ser genérico é fundamental, não há como refutar as três objeções de Merricks.

Assim, em suma, temos três opções à disposição: monismo, pluralismo e hibridismo. Argumentei que os pluralistas devem rejeitar ou a Completude ou a Pureza. Os hibridistas arcam com o custo em termos de economia ideológica, bem como com as três objeções de Merricks mencionadas acima. Diante disso, acredito que o monismo seja a posição metaontológica mais plausível.11

 

Notas

1 Ver Frede 1987: 84–86 para uma defesa da afirmação de que Aristóteles era um pluralista.

2 Ver McCabe 1969: 90–91 para uma defesa da afirmação de que Tomás de Aquino era um pluralista.

3 Ver o 51º princípio de Descartes (1992: 210) nos Princípios da Filosofia.

4 Russell (1912: 89–100) e Moore (1903: 29, 111) defenderam esta versão do pluralismo.

5 É importante notar que o modo genérico de ser em questão aqui não deve ser entendido como mera disjunção de modos de ser mais particulares. Assim, por exemplo, ‘xF(x)’ não pode ser definido como equivalente a ‘1xF(x) ou 2xF(x)’. Se o sentido genérico de ser fosse entendido dessa maneira, seria trivial para o pluralista que tudo goza de um sentido genérico de ser.

6 Se alguém pensa que o pluralismo ainda seria intuitivamente verdadeiro se não houvesse abstratos ou concretos, pode-se descartar as duas últimas conjunções desta formulação.

7 Isso evidencia por que a maneira genérica de ser em questão aqui não pode ser uma mera disjunção das maneiras particulares de ser, ou então (2) seria definicionalmente equivalente a (1). Veja a nota de rodapé 5.

8 Outra maneira popular de desenvolver a completude é dizer que todo fato não fundamental é totalmente fundamentado por alguns fatos fundamentais. Para mais informações sobre a noção de fundamento, veja Fine 2012 e Rosen 2010. Estou optando por trabalhar na estrutura de Sider, uma vez que os próprios pluralistas contemporâneos* trabalham na estrutura de Sider. Deve-se notar, no entanto, que o dilema que formularei também pode ser formulado em uma estrutura de fundamentação.

9 Na versão de fundamentação do dilema (ver nota de rodapé 8), a questão aqui seria que não existe um puro disponível que fundamente a afirmação de que tudo existe¹ ou existe².

10 Por algum motivo, acredita-se que as versões padrão do pluralismo não enfrentam essa preocupação em relação ao monismo; veja Turner 2010.

11 Agradeço imensamente a Derek Haderlie, Trenton Merricks, Miriam Schoenfield, Byron Simmons, Jack Spencer, ao público das Conferências de Pós-Graduação da UT Austin e Syracuse de 2018 e a dois revisores anônimos por seus comentários úteis sobre versões anteriores deste artigo.

 

Referências bibliográficas

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Husserl, E. 1901/2001. Logical Investigations, vol. 2. New York: Routledge Press.

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Merricks, T. forthcoming. The only way to be. Nôus, doi:10.1111/nous.12238.

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Rosen, G. 2010. Metaphysical dependence: grounding and reduction. In Modality: Metaphysics, Logic, and Epistemology, eds. B. Hale and A. Hoffmann, 109–36. Oxford: Oxford University Press.

Russell, B. 1912. The Problems of Philosophy. Oxford: Oxford University Press.

Sider, T. 2011. Writing the Book of the World. Oxford: Oxford University Press. Turner, J. 2010. Ontological pluralism. Journal of Philosophy 107: 5–34.


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