1. Introdução
Tudo existe
da mesma maneira que todo o resto? Os monistas quanto ao ser (ou,
abreviadamente, "monistas") dizem que "sim", e os
pluralistas quanto ao ser (ou, abreviadamente, "pluralistas") dizem
que "não". O pluralismo foi defendido (pelo menos supostamente) por
figuras notáveis como Aristóteles,1 Aquino,2 Descartes,3
Russell (1912: 89–100), Moore (1903: 29, 111), Husserl (2001: 249–50) e
Heidegger (1962). Por exemplo, Bertrand Russell pensava que a relação "ao
norte de" existe de uma maneira diferente daquela como Londres existe.
Aquino afirmava que Deus existe de uma maneira diferente de suas criaturas.
Aristóteles talvez pensasse que entidades em categorias diferentes existem de
maneiras diferentes. Ainda hoje, muitos estudantes de graduação, em sua primeira
aula de metafísica, tendem a pensar que os números existem de uma maneira
diferente das mesas.
Trenton
Merricks (no prelo) apresenta um dilema contra o pluralismo. Ele argumenta que
ambas as alternativas do dilema são inaceitáveis e que, portanto, o
pluralismo deve ser falso. O objetivo deste artigo é duplo. Primeiramente,
argumentarei que uma alternativa específica do dilema de Merricks não apresenta
problemas para a versão contemporânea do pluralismo defendida por Turner (2010)
e McDaniel (2009, 2010, 2017) e que, assim, o argumento de Merricks contra o
pluralismo, tal como formulado, não é sólido. No entanto, minha segunda tarefa
é apresentar um novo dilema contra o pluralismo que, quando combinado com os
argumentos de Merricks, constitui um novo e poderoso desafio a todas as formas
de pluralismo.
Antes de
começar, vamos estabelecer uma notação. Para simplificar, seguirei Merricks ao
considerar uma versão do pluralismo segundo a qual existem exatamente duas
maneiras de ser, as quais simbolizarei como "∃1" e "∃2" (juntamente com os
correspondentes "∀1"
e "∀2").
Também acompanharei Merricks no uso ocasional das expressões
"existir1" e "existir2". Por exemplo, talvez objetos
concretos existam1 e objetos abstratos existam2.4 Tudo neste artigo
(e no artigo de Merricks) pode ser generalizado para variedades de pluralismo
com mais de duas maneiras de ser. Usarei os símbolos usuais ‘∃’ e ‘∀’ para representar a maneira genérica
de ser do monista, da qual tudo (supostamente) desfruta.
2. O dilema de Merricks
O dilema de
Merricks contra o pluralismo apresenta-se, em linhas gerais, da seguinte forma.
Ou o pluralista afirma que tudo desfruta de uma maneira genérica de ser (além
das maneiras mais específicas de ser), ou não.5
Merricks
apresenta três críticas aos pluralistas que optam pela primeira alternativa do
dilema, concordando que tudo desfruta de uma maneira genérica de ser. Primeiro,
isso contradiz a motivação padrão para se adotar o pluralismo, a saber: a ideia
de que, digamos, números e mesas não desfrutam de uma maneira semelhante de
ser. Segundo, essa versão do pluralismo reforça uma objeção comum a essa
doutrina. De acordo com essa versão, podemos dizer que algo existe1 se, e
somente se, existe genericamente e é concreto, e que algo existe2 se, e somente
se, existe genericamente e é abstrato. Visto que já podemos captar a suposta
distinção oferecida pelas diferentes maneiras de ser utilizando apenas o ser
genérico em conjunto com a distinção entre abstrato e concreto, postular
diferentes maneiras de ser parece supérfluo. Terceiro, essa versão do
pluralismo é incompatível com as motivações históricas para essa doutrina. Nas
palavras de Merricks, uma visão pluralista que "implica que todas as
entidades — propriedades, números, montanhas, Deus, criaturas, tudo — existem
genericamente... está claramente em tensão com os tipos de visão que
praticamente todos os pluralistas tentaram articular e defender" (12).
Quanto à
segunda alternativa, Merricks argumenta que os pluralistas que não aceitam que
tudo desfruta de uma maneira genérica de ser não conseguem formular sua própria
visão. A ideia geral é a seguinte. Informalmente, o pluralismo de duas maneiras
de ser afirma que tudo ou existe1 ou existe2, e que algo existe1 e algo
existe2. Mais formalmente, a seguinte sentença expressa o pluralismo de duas
maneiras de ser:
(1) ∀x(∃1y(y=x) ou ∃2y(y=x)) e ∃1x(x=x) e ∃2x(x=x)
É crucial que
o termo em itálico seja o quantificador genérico que abrange absolutamente
tudo, incluindo coisas de todas as diferentes maneiras de ser. Sem a maneira
genérica de ser, o pluralista poderia tentar algo como:
(2) ∀1x(∃1y(y=x) ou ∃2y(y=x)) e ∀2x(∃1y(y=x) ou ∃2y(y=x)) e ∃1x(x=x) e ∃2x(x = x)
No entanto,
(2) não captura o Pluralismo de dois modos de ser, uma vez que um pluralista de
três modos de ser pode aceitar (2).7 Merricks examina várias
maneiras diferentes de tentar formular o Pluralismo de dois modos de ser sem o
quantificador genérico e argumenta que todas elas fracassam. A razão pela qual
todas fracassam é que o pluralista precisa de algo como um fato de
"totalidade". Para tomar um exemplo trivial, suponha que eu queira
afirmar que existem exatamente dois tipos de cavalos: cavalos1 e cavalos2. Não
posso simplesmente dizer que existem alguns cavalos1 e alguns cavalos2. Preciso
dizer que todos os cavalos são cavalos1 ou cavalos2.
De qualquer
modo, não contestarei a força do segundo dilema de Merricks. Acredito que
Merricks levantou um ponto muito importante ao argumentar que o pluralista não
pode expressar sua própria visão sem dizer que tudo desfruta de um sentido
genérico de ser. No entanto, argumentarei que o primeiro dilema não apresenta
problemas para as versões contemporâneas do Pluralismo.
3. Como o Pluralista
deve responder
As versões
contemporâneas do Pluralismo, descritas em Turner (2010) e McDaniel (2009:
305–10), são formuladas na estrutura teórica de Sider (2011). É uma ideia
familiar, proveniente da obra de David Lewis e outros, que certos predicados
são mais naturais do que outros. Um caso paradigmático é o fato de que
"verde"(*green*) é mais natural do que "verde-azul" ou “verzul”
(*grue*). Certos predicados — talvez aqueles da física fundamental — são
perfeitamente naturais.
Segundo
Sider, não precisamos restringir a discussão sobre naturalidade aos predicados.
Podemos, por exemplo, perguntar se operadores modais ou temporais são
fundamentais ou perfeitamente naturais. Turner e McDaniel descrevem o
Pluralismo como a tese de que os quantificadores ∃1 e ∃2 são perfeitamente naturais. De
acordo com essa versão do Pluralismo, o próprio mundo estabelece uma distinção
fundamental entre diferentes modos de ser que o monista simplesmente não
captura. Por outro lado, os monistas acreditam que o único quantificador perfeitamente
natural é o quantificador genérico habitual, expresso por "∃". Diante desse quadro, fica
claro como os pluralistas contemporâneos devem responder ao primeiro dilema de
Merricks. Os pluralistas contemporâneos devem negar que o quantificador genérico
seja perfeitamente natural; no entanto, devem ainda aceitar que tudo desfruta
de uma maneira genérica de ser captado pelo quantificador genérico. A maneira
genérica de ser simplesmente não é perfeitamente natural. Ela não "corta a
natureza em suas articulações". Chamemos essa versão de pluralismo de
"Pluralismo*".
Consideremos
um caso menos metafísico. Suponhamos, como nos dizem os físicos, que todas as
partículas sejam bósons ou férmions. Poder-se-ia pensar que ser um bóson é uma
expressão perfeitamente natural e que ser um férmion também é uma expressão
perfeitamente natural. No entanto, a noção genérica de ser uma partícula — isto
é, ser uma partícula de um tipo ou de outro — provavelmente não é perfeitamente
natural. Mas, claramente, existem partículas nesse sentido genérico! Além
disso, note que ser "uma partícula de um tipo ou de outro" não é
meramente a disjunção de "ser um bóson ou ser um férmion". Foi uma
descoberta empírica substantiva que todas as partículas são bósons ou férmions,
e não meramente uma estipulação definicional! Assim, tal como se deve pensar
que existe algum sentido não fundamental e não meramente disjuntivo no qual
existem partículas (genéricas), o Pluralista* deve aceitar que existe um
sentido não fundamental e não meramente disjuntivo no qual tudo existe
genericamente.
Essa visão
está muito em sintonia com a perspectiva apresentada em McDaniel (2010). Nesse
artigo, McDaniel explora o conceito de "característica análoga".
Segundo McDaniel, estamos familiarizados com características que são "algo
semelhante a propriedades disjuntivas, mas que não são meramente disjuntivas.
Características análogas desfrutam de um tipo de unidade que falta às
características meramente disjuntivas: elas são, para usar termos medievais,
unificadas por analogia" (696). Considere o exemplo de ser saudável.
Existem muitas maneiras diferentes de ser saudável. Para citar um exemplo de
McDaniel: "Eu sou saudável, meu sistema circulatório é saudável e o
brócolis é saudável" (695). Embora essas coisas sejam certamente saudáveis
de maneiras diferentes (assim como existem muitas maneiras de ser!), parece
que temos uma compreensão de um conceito de ser saudável de modo genérico
(assim como compreendemos a existência genérica!) que se aplica a todos esses exemplos.
Note também que ser saudável não é algo meramente disjuntivo. Ou, pelo menos,
não vejo nenhuma disjunção plausível que seja definicionalmente equivalente a
ser saudável e que abranja tudo o que dizemos sobre a saúde. Em vez disso,
possuímos o conceito de saúde genérica por meio de uma espécie de analogia com
formas particulares de ser saudável. Para o Pluralista*, fazemos o mesmo em
relação à existência genérica.
A resposta à
terceira objeção de Merricks é semelhante. Segundo essa objeção, as teorias pluralistas
existentes, desenvolvidas por figuras históricas proeminentes, são
incompatíveis com a existência de um modo de ser compartilhado por tudo. Aqui,
devemos fazer a mesma distinção aplicada à primeira objeção. Se essas figuras
históricas sustentavam que não existe um modo de ser fundamental compartilhado
por tudo, não há problema. Se sustentavam que não existe um modo de ser *não
fundamental* compartilhado por tudo, então há um problema. Ou, talvez de forma
mais plausível, algumas dessas figuras históricas rejeitariam, desde o início,
a distinção entre o fundamental e o não fundamental. Certamente não posso
arbitrar essa questão interpretativa aqui, mas não vejo por que os pluralistas
contemporâneos deveriam se preocupar caso as teorias pluralistas históricas
impliquem que não existe um modo de ser não fundamental compartilhado por
números e mesas.
Por fim,
considere a segunda objeção. Segundo ela, se o pluralista afirma que existe um
modo de ser genérico compartilhado por tudo, então deveria afirmar que algo
*existe₁* se, e
somente se, *existe genericamente* e é concreto, e que algo *existe₂* se, e somente se, *existe
genericamente* e é abstrato. Isso parece tornar supérfluas as distinções entre
modos de ser. Em resposta, considere o exemplo da física mencionado
anteriormente. Os físicos subscrevem o bicondicional de que *x* é um bóson se,
e somente se, *x* é uma partícula e *x* é um não férmion. Da mesma forma, *x* é
um férmion se, e somente se, *x* é uma partícula e *x* é um não bóson. Será que
isso dá aos físicos alguma razão para duvidar da afirmação de que "ser um
bóson" e "ser um férmion" são propriedades fundamentais,
enquanto "ser uma partícula", "ser um não bóson" e
"ser um não férmion" são não fundamentais? Certamente não.
Bicondicionais, por si sós, nada dizem sobre questões de naturalidade.
4. Um Novo Dilema
Assim, os
Pluralistas* parecem evitar o dilema de Merricks sem um custo excessivo. No
entanto, penso que o Pluralismo* enfrenta um dilema diferente que não pode ser
evitado tão facilmente.
Para
apresentar o dilema, precisamos considerar duas teses distintas sobre fatos
fundamentais, ambas defendidas em Sider (2011). Primeiramente, temos o
seguinte:
Pureza: Fatos fundamentais contêm apenas
noções fundamentais.
Essa tese é
muito intuitiva. Em sua defesa, Sider escreve: "quando Deus estava criando
o mundo, Ele não precisava pensar em termos de noções não fundamentais como
cidade, sorriso ou doce" (106). De acordo com a Pureza, se alguém
considera que expressões como "laptop", "Possivelmente..."
e "guarda-chuva" não são noções fundamentais, então todo fato que as
envolva deve ser não fundamental.
A segunda
tese à qual recorreremos é a seguinte:
Completude: Toda verdade não fundamental vale em
virtude de alguma verdade fundamental.
Sider
escreve: "A Completude parece definir a fundamentalidade. Seria inviável
dizer que o fundamental consiste apenas em um elétron: concebido dessa forma, o
fundamental não poderia explicar a vasta complexidade do mundo que
vivenciamos" (105).
É preciso
dizer mais sobre a expressão "em virtude de" na tese da Completude. A
formulação final de Sider para a Completude é: "Toda sentença que contém
expressões que não 'cortam a realidade nas suas articulações' (*carve at the
joints*) possui uma semântica metafísica" (116).8 Para Sider,
uma semântica metafísica consiste em afirmações da forma: "A sentença S de
L é verdadeira em L se e somente se...", em que [a expressão] denota um
fato fundamental destinado a captar as condições de verdade de S (113). Por
exemplo, a semântica metafísica para a sentença "existem cidades"
terá, presumivelmente, a forma "∃xC(x)",
em que "C" é um predicado complexo que descreve, com detalhes
completos, o que é ser uma cidade em nível microfísico.
Podemos agora
formular nosso novo dilema para o Pluralista*. Lembremos que os Pluralistas*
subscrevem o seguinte:
(1) ∀x(∃1y(y=x) ou ∃2y(y=x)) e ∃1x(x=x) e ∃2x(x=x)
Vamos nos
concentrar na primeira conjunção de (1):
(3) ∀x(∃1y(y=x) ou ∃2y(y=x))
Nosso novo
dilema coloca simplesmente a questão: (3) é um fato fundamental? Acredito que
tanto responder "sim" quanto responder "não" traz problemas
para o Pluralista*. Se o Pluralista* responder "sim", terá de negar a
Pureza. Se (3) é fundamental, então, pela Pureza, todas as expressões em (3)
devem ser noções fundamentais. No entanto, o Pluralista* nega explicitamente
que os quantificadores genéricos "∀"
e "∃"
sejam noções fundamentais. Considero a Pureza muito plausível; portanto,
acredito que optar por esse caminho do dilema tem um custo elevado.
Optar pelo
outro caminho entra em tensão com a conjunção da Pureza e da Completude.
Suponha que o Pluralista* afirme que (3) não é fundamental. Pela Completude,
(3) deve possuir uma semântica metafísica. Em outras palavras, deve existir
alguma sentença ϕ que expresse um fato fundamental e capture as condições de
verdade de (3). Além disso, devido à Pureza, tal sentença só pode conter noções
fundamentais. Assim, em particular, ϕ não pode utilizar os quantificadores
genéricos ∀ e ∃; pode utilizar apenas os
quantificadores ∃1
e ∃2.
Portanto, o
Pluralista* deve fornecer as condições de verdade para a afirmação de que tudo
ou existe1 ou existe2, utilizando apenas noções fundamentais que não incluam a
noção de existência genérica. Mas espere — essa é justamente a tarefa que
Merricks argumentou que os Pluralistas não conseguem realizar! Todos os fatos
sobre o que existe1 e como são as coisas que existem1, bem como todos os fatos
sobre o que existe2 e como são as coisas que existem2, jamais serão capazes de
dar conta fielmente das condições de verdade da afirmação de que tudo ou
existe1 ou existe2. Pois todos os fatos sobre o que existe1 e o que existe2 são
compatíveis com a existência de algumas coisas adicionais que existem3.
Se houvesse
alguma sentença ϕ que expressasse fielmente as condições de verdade da
afirmação de que tudo ou existe1 ou existe2 sem utilizar a noção genérica de
existência, então o dilema original de Merricks não teria força alguma.9
Não haveria necessidade de o Pluralista aceitar uma noção de existência
genérica e tornar-se um Pluralista* em primeiro lugar. Os Pluralistas poderiam
simplesmente ter usado ϕ para expressar sua visão, sem precisar de qualquer
noção genérica de existência.
5. Uma Visão Híbrida?
Argumentei
que os Pluralistas* precisam abrir mão ou da Pureza ou da Completude. Em
resposta, pode-se perguntar: será sequer possível que uma visão que reconhece
múltiplas formas fundamentais de ser satisfaça a Pureza e a Completude? Poderia
haver alguma outra visão — um Pluralismo** — que tenha sido negligenciada?
Tecnicamente, existe tal visão. Considere uma visão — chamemo-la de Hibridismo
— na qual tanto o quantificador genérico ∃
quanto os quantificadores especializados ∃1
e ∃2 são
modos fundamentais de ser. Tal visão pode invocar quantificadores genéricos em
fatos fundamentais e, portanto, não enfrenta violações da Pureza.
Essa visão é
plausível? Um argumento forte contra o Hibridismo é que tanto o Monismo padrão
quanto o Pluralismo padrão são estritamente melhores do que o Hibridismo em
termos de parcimônia ideológica. O Hibridismo simplesmente possui estritamente
mais noções fundamentais do que o Pluralismo padrão e o Monismo padrão.10
Em segundo
lugar, penso que as três objeções de Merricks contra a primeira vertente de seu
dilema original se aplicam com força total ao Hibridismo. Primeiramente, a
ideia central (ou intuição) que favorece o Pluralismo — a de que o ser genérico
é menos natural do que ∃1
ou ∃2, ou a
de que existe apenas um sentido frouxo, obtido por analogia, segundo o qual
podemos dizer que "Londres e a relação 'ao norte de' existem" — não
sustenta o Hibridismo. Em segundo lugar, o Hibridismo incorre no custo de
apresentar redundância em nível fundamental, visto que *x* existe1 se, e
somente se, *x* existe e é concreto, e *x* existe2 se, e somente se, *x* existe
e é abstrato. O hibridista pode escapar dessa redundância negando que "ser
concreto" e "ser abstrato" sejam perfeitamente naturais. No
entanto, para um pluralista de duas formas de ser, que pensa que o mundo se
divide fundamentalmente em duas partes — o abstrato e o concreto —, é muito
natural pensar que "ser concreto" e "ser abstrato" são
perfeitamente naturais. Em terceiro lugar, nenhum pluralista histórico ou
contemporâneo jamais endossou o Hibridismo. Em suma, a melhor resposta que o
Pluralista* tinha para as três objeções de Merricks era enfatizar que o ser
genérico não é fundamental. Uma vez que um pluralista chega ao ponto de afirmar
que o ser genérico é fundamental, não há como refutar as três objeções de
Merricks.
Assim, em
suma, temos três opções à disposição: monismo, pluralismo e hibridismo.
Argumentei que os pluralistas devem rejeitar ou a Completude ou a Pureza. Os
hibridistas arcam com o custo em termos de economia ideológica, bem como com as
três objeções de Merricks mencionadas acima. Diante disso, acredito que o
monismo seja a posição metaontológica mais plausível.11
Notas
1 Ver Frede
1987: 84–86 para uma defesa da afirmação de que Aristóteles era um pluralista.
2 Ver McCabe
1969: 90–91 para uma defesa da afirmação de que Tomás de Aquino era um pluralista.
3 Ver o 51º
princípio de Descartes (1992: 210) nos Princípios da Filosofia.
4 Russell
(1912: 89–100) e Moore (1903: 29, 111) defenderam esta versão do pluralismo.
5 É
importante notar que o modo genérico de ser em questão aqui não deve ser
entendido como mera disjunção de modos de ser mais particulares. Assim, por
exemplo, ‘∃xF(x)’
não pode ser definido como equivalente a ‘∃1xF(x)
ou ∃2xF(x)’.
Se o sentido genérico de ser fosse entendido dessa maneira, seria trivial para
o pluralista que tudo goza de um sentido genérico de ser.
6 Se alguém
pensa que o pluralismo ainda seria intuitivamente verdadeiro se não houvesse
abstratos ou concretos, pode-se descartar as duas últimas conjunções desta
formulação.
7 Isso
evidencia por que a maneira genérica de ser em questão aqui não pode ser uma
mera disjunção das maneiras particulares de ser, ou então (2) seria
definicionalmente equivalente a (1). Veja a nota de rodapé 5.
8 Outra
maneira popular de desenvolver a completude é dizer que todo fato não
fundamental é totalmente fundamentado por alguns fatos fundamentais. Para mais
informações sobre a noção de fundamento, veja Fine 2012 e Rosen 2010. Estou
optando por trabalhar na estrutura de Sider, uma vez que os próprios
pluralistas contemporâneos* trabalham na estrutura de Sider. Deve-se notar, no
entanto, que o dilema que formularei também pode ser formulado em uma estrutura
de fundamentação.
9 Na versão
de fundamentação do dilema (ver nota de rodapé 8), a questão aqui seria que não
existe um puro disponível que fundamente a afirmação de que tudo existe¹ ou
existe².
10 Por algum
motivo, acredita-se que as versões padrão do pluralismo não enfrentam essa
preocupação em relação ao monismo; veja Turner 2010.
11 Agradeço
imensamente a Derek Haderlie, Trenton Merricks, Miriam Schoenfield, Byron
Simmons, Jack Spencer, ao público das Conferências de Pós-Graduação da UT
Austin e Syracuse de 2018 e a dois revisores anônimos por seus comentários
úteis sobre versões anteriores deste artigo.
Referências
bibliográficas
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1992. The Philosophical Writings of Descartes, translated by J. Cottingham, R.
Stoothoff and R. Murdoch. Cambridge, UK: Cambridge University Press.
Frede, M.
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2012. Guide to ground. In Metaphysical Grounding, eds. F. Correia and B.
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Heidegger, M.
1962. Being and Time, translated by J. Macquarrie and E. Robinson. Oxford:
Basil Blackwell.
Husserl, E.
1901/2001. Logical Investigations, vol. 2. New York: Routledge Press.
McCabe, H.
1969. Categories. In Aquinas: A Collection of Critical Essays, ed. A. Kenny,
54–92. London: Macmillan.
McDaniel, K.
2009. Ways of being. In Metametaphysics: New Essays on the Foundations of
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1903. Principia Ethica, revised edn. (1993), ed. T. Baldwin. Cambridge:
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2010. Metaphysical dependence: grounding and reduction. In Modality:
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1912. The Problems of Philosophy. Oxford: Oxford University Press.
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2011. Writing the Book of the World. Oxford: Oxford University Press. Turner,
J. 2010. Ontological pluralism. Journal of Philosophy 107: 5–34.

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