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Autor: Vexen Crabtree
Tradução: Bianca Vilaça
Revisão: Pedro Araújo

O Argumento ateísta da Incoerência

Não há nenhuma evidência direta de que exista(m) deus(es), assim como não há argumentos teóricos que provem quaisquer deuses.[1] Além da falta de razões para a existência de um deus, o argumento da incoerência sustenta que o próprio conceito (tradicional) de Deus é autocontraditório e impossível; portanto, perante tal cenário, o teísmo é falso e o ateísmo é verdadeiro. Onipotência e onisciência contradizem o livre-arbítrio e são logicamente impossíveis; Deus não tem como validar sua onisciência, e há questões sobre seu próprio ser que ele mesmo não pode responder (por isso, nada pode ser onisciente). No que diz respeito a um ser perfeito, não há necessidade de criar o que quer que seja. Se for eterno e imutável, então seus próprios pensamentos são eternos e imutáveis ​​— em outras palavras, não tem estados mentais. Se seus impulsos emocionais, comportamentais e instintivos básicos são todos fixos (isto é, não criados por si mesmo, portanto não estando sob seu próprio controle, e imutáveis), então é difícil imaginar como o ser, existindo em um mundo sem estimulação nem mudança, pode sequer estar consciente. Sem livre-arbítrio, moralidade ou onisciência, o “deus” remanescente é apenas um autômato: um ser que segue a necessidade e a lógica. Mas o conceito de um deus criador é ainda mais problemático ​​— pois esse ‘criador de tudo’ deve ter características inerentes não criadas por ele. Deve ser inteligente e racional (assim sendo, não pode ter criado a inteligência nem a lógica). Deve ter desejos, impulsos, motivações, um incrível mecanismo de pensamento onisciente, e não pode ter criado a si mesmo. Logo, parece impossível e falso dizer que “tudo deve ter uma causa, portanto há um deus”. Cada propriedade de Deus é em si uma contradição da ideia de que ele é o único criador. Todos esses traços próprios não criados levam a uma situação improvável onde um ser complicado e multifacetado é invocado para explicar um universo que é considerado muito complexo para ter sido criado por si mesmo. O próprio conceito (tradicional) de um deus criador se contradiz, é impossível e incoerente. A causa primeira de tudo não é um deus, mas apenas as leis naturais de um universo ateísta.

1. Deus não pode ter livre-arbítrio Existem quatro bons argumentos para defender que Deus não pode ter livre-arbítrio.

Aqui estão eles:

  1. Um ser onisciente não pode ter livre-arbítrio porque é predestinado pelo seu próprio conhecimento certeiro acerca de suas ações futuras.
  2. Um deus perfeitamente benevolente não pode ter livre-arbítrio porque há apenas um curso perfeito de ação, que Deus, sendo perfeitamente bom, deve seguir.
  3. O criador do tempo não pode ter livre-arbítrio: se Deus existe fora do tempo, então ele é imutável e, como tal, não tem estados mentais, exceto um estado eterno e perfeito. As escolhas exigem mudanças nos estados mentais ao longo do tempo. Um ser eterno que criou o tempo não pode ter livre-arbítrio.
  4. Se Deus criou o livre-arbítrio, ele próprio não pode já ter tido livre-arbítrio antes de tê-lo criado: ainda assim, um ser onisciente saberia (antes de criar o livre-arbítrio) tudo que faria. Portanto, qualquer deus criador não pode ter livre-arbítrio sobre nenhuma de suas ações.

2. Deus não pode ser conhecedor de todas as coisas (onisciente)

2.1. Como Deus pode verificar seu próprio status de Deus Criador?

Se você sabe tudo, deve saber que sabe tudo. Se você não sabe se sabe tudo, então não sabe tudo. Um deus saberia tudo? Como ele saberia? Existem algumas perguntas que nem mesmo um deus poderia responder. Uma questão procede de um possível ser que Deus poderia criar. Deus poderia criar um ser solipsista e fazê-lo pensar que criou o universo. Poderia dar a tal ser todo o conhecimento, exceto o de que ele próprio foi criado. Tal ser não teria ideia de que é, na verdade, um ser criado e que há outro criador superior. Se Deus quisesse criar tal ser iludido, poderia fazê-lo. O problema é que nosso próprio Deus teorizado não sabe se existe em tal estado de ignorância. Resumindo, Deus não é capaz de averiguar se realmente sabe tudo. Não há nem mesmo como ele próprio verificar que é o verdadeiro Deus Criador.

2.2. Como Deus pode verificar que seu conhecimento é completo?

Todos os seres sencientes inteligentes devem perceber que, sem a verificação de outros seres além de si mesmo ou da ciência, não há como saber se está correto em sua visão de mundo. Não importa o quão inteligente ou instruído seja um ser — se aquele ser deseja verificar seu conhecimento para ter certeza de que está correto, ele precisa olhar para algo mais inteligente do que ele mesmo, ou para a ciência. Mas e se você fosse o criador da ciência? Você não poderia usar sua construção para testar se sua própria construção é verdadeira, pois seria um teste circular e inválido. Se Deus tentasse descobrir se ele realmente sabe tudo, perceberia que não há como saber. Como ele sabe que sabe tudo? Ele simplesmente acha que sabe. Deus não tem um teste, método ou qualquer meio pelo qual descobrir se ele, de fato, sabe tudo. O próprio Deus poderia ser um ser criado, com outro criador se escondendo secretamente por trás dele. Ele não saberia. Em suma, não sabe e não tem como saber se isso é verdade. Além disso, e se Deus usar seu poder para esquecer algo intencionalmente? Para os cristãos, isso é exatamente o que a Bíblia diz que Deus pode fazer, em Isaías 43:25. Se um ser onisciente e onipotente escolheu não saber algo, então ele pode, ou não, saber que não sabe. A pior possibilidade é a de ele apagar seu próprio conhecimento de como causar esquecimento em si mesmo; ele jamais teria como saber que não sabe algo. Simplesmente não há como ele verificar. Deus não sabe tudo e não é onisciente. Na verdade, nenhum ser pode saber tudo porque nenhum ser, por mais criativo ou perfeito que seja, pode verificar que seu próprio conhecimento é completo.

2.3. Seres pensantes não conhecem sua própria substância

“Penso, logo existo” é tão verdadeiro para Deus quanto para qualquer ser. Mas Deus não pode explicar sua própria natureza. Qualquer que seja a faceta da personalidade, força de vontade ou desejo que examine sobre si mesmo, ele perceberá que não consegue descobrir por que é assim. Por que Deus sabe tudo? Por que Deus é de boa índole, ou criativo, ou amoroso? (Se ele realmente for essas coisas, é claro). Parece que onisciente não é um estado atingível. Immanuel Kant diz que é impossível, por meio da autorreflexão, conhecer sua própria substância. Ele argumenta:
“Pois como ele não cria a si mesmo, por assim dizer, e não vem pela concepção de si mesmo a priori, mas empiricamente, segue-se naturalmente que ele pode obter seu conhecimento, inclusive de si mesmo, apenas pelo sentido interno e, consequentemente, apenas pelas aparências de sua natureza e pela maneira como sua consciência é afetada.“ - “A Fundamentação da Metafísica dos Costumes“, por Immanuel Kant (1785)[2]Um ser onisciente está no mesmo barco: ele não pode verificar a si mesmo. Gassendi chegou à mesma conclusão, conforme relatado por Voltaire: 
“‘É verdade’, diz Gassendi, ‘que você sabe o que pensa; mas você é ignorante em relação a que espécie de substância você é, você que pensa. Assim, embora a operação do pensamento seja conhecida por ti, o princípio de sua essência está oculto de ti; e você não sabe qual é a natureza dessa substância, da qual uma das operações é pensar.’“ - “Dicionário Filosófico”, por Voltaire (1764)[3]

2.4. Potencial ignorância proposital

Suponhamos que Deus saiba tudo, mas, por alguma razão, ele escolhe não saber algo. Deus apaga algo do seu próprio conhecimento e faz com que pareça que ele jamais soube disso, de forma que não possa simplesmente se lembrar de uma época em que sabia sobre esse algo. Em seguida, remove sua própria memória de ter esquecido algo intencionalmente. Eu argumento em “As Quatro Dimensões e a Imutabilidade de Deus”, por Vexen Crabtree (2007), que Deus não pode fazer tais coisas. Porém posso estar errado, então aqui está o argumento decisivo:

Como Deus saberia agora se, em outro momento, tivesse escolhido intencionalmente não saber algo? Ele não seria capaz de contradizer sua própria vontade ao escolher não saber, e, se destruísse a memória de ter feito tal escolha, também não saberia se realmente esqueceu alguma coisa. Esta é outra classe (claramente tênue) do autoconhecimento da qual qualquer ser carece e a qual é incapaz de examinar. Sem uma resposta a esta potencial fonte de agnosia, nenhum ser que aspira à onisciência pode ser verdadeiramente onisciente.

3. Deus não pode ser todo-poderoso (onipotente)

“Onipotência é o estado de ser ‘todo-poderoso’. Em religiões monoteístas, como o cristianismo e o islã, Deus é considerado onipotente muitas vezes em suas escrituras. Onipotência implica outros superpoderes também: se você for todo-poderoso, terá meios de tomar ciência de todo e qualquer fato instantaneamente, o que requer onisciência.

No entanto, a onipotência tem tantas dificuldades teológicas e filosóficas que parece ser um conceito autocontraditório e impossível. O próprio Deus é restringido pelas leis da lógica e da racionalidade — ele não pode fazer um círculo quadrado ou criar um objeto que não possa destruir. A maioria das pessoas concorda que ‘onipotência’ significa apenas a capacidade de fazer qualquer coisa lógica[4],[5]. Na verdade, para criar qualquer coisa, você deve primeiro ser capaz de pensar racionalmente, de uma forma ordenada, e, portanto, estar sujeito à causa e efeito lógicos[6]. De tal modo, os seres onipotentes não podem ser os criadores das leis fundamentais. Onipotência contradiz o ‘ser a causa primeira’ de toda a realidade. E, se um ser todo-poderoso criou dor, sofrimento, o ciclo da vida (em que a maioria dos seres vivos deve matar e comer outros seres para sobreviver), embora tenha a capacidade todo-poderosa de criar felicidade eterna para todos, tal ser não pode ser benevolente (moralmente bom). Milênios de debate teológico e filosófico não resultaram na resolução dessas contradições.“ - “Deus é Todo-Poderoso? Deus ou Qualquer Outra Coisa Pode Ser Realmente Onipotente?“, por Vexen Crabtree (2012) Além disso, como a onisciência tem vários problemas, não pode haver seres onipotentes (já que onipotência requer onisciência).

4. Deus não pode ser perfeitamente benevolente ou moralmente bom

"Deus é bom" é uma suposição comum feita pelos teístas, embora Deus possa existir e ser neutro (amoral) ou malévolo (mau e imoral). Mas ele não pode ser "moralmente bom". Se for perfeitamente bom, sempre fará as melhores (e perfeitas) escolhas e, portanto, não terá livre-arbítrio. Um ser sem vontade própria não pode ser moralmente bom porque não faz escolhas morais; só pode ser moralmente neutro, como um robô. Além disso, se os atos e desejos de Deus são, por definição, automaticamente bons, sua moralidade é arbitrária, e nós mesmos não temos nenhuma razão moral para segui-la, além de estarmos sujeitos a fazê-lo apenas por medo das consequências ou da egoísta vontade de recompensa. Se os atos de Deus não são, por definição, bons, deve haver uma fonte independente da definição de bondade. Se Deus sempre foi bom, então Deus não pode ter sido o criador do bem; no entanto, se ele não foi, o que foi? A ideia de um deus bom apresenta contradições. Se você não aceita argumentos puramente lógicos, filosóficos ou teológicos de que Deus não pode ser benevolente, a existência do mal e do sofrimento no mundo real (de bebês etc.) também é evidência de que o mundo não foi criado por um deus perfeitamente bom. Desastres naturais como terremotos e vulcões parecem ser universais e não estão ligados ao livre-arbítrio humano, mas causam muita destruição. Parece que a moralidade e Deus são contraditórios. Deus não pode ser o autor da moralidade nem pode ele próprio ser moral.

5. O imutável criador do tempo: robótico, sem emoção e incapaz de pensar

Ser um ser eterno responsável por criar o próprio fluxo do tempo é ser imutável. Deus existe por toda a eternidade antes da criação do mundo e após a morte do mundo. O mundo criado — do começo ao fim — é como um objeto nas mãos de Deus, que pode ser girado e examinado; Deus pode ver cada linha do tempo do início ao fim, além de conhecer a conclusão de cada teste. Esta Causa Primeira do Universo está além do tempo, olhando-o, de modo que parece efetivamente onisciente. Mas Deus não está sujeito às leis do Universo que ele mesmo criou. Ele detém todo o tempo e espaço em suas mãos, mas ele em si não está sujeito ao tempo. Esta é a razão pela qual Deus não muda, e também por outra razão: Deus é um ser perfeito. Qualquer mudança de um estado perfeito para atingir algum objetivo ou meta deve ser um passo em direção a um bom propósito: mas Deus, sendo perfeito, já atingiu todos os fins bons. Deus não consiste em uma série eterna de estados mentais: Deus é um estado mental, imutável, perfeito e eterno[7].[8]

As conclusões de que Deus é imutável foram alcançadas por alguns dos principais teólogos cristãos históricos. São Tomás de Aquino, no segundo livro de sua Suma Teológica, conclui que Deus não pode mudar a si mesmo, nem se arrepender, nem desfazer o passado[9]. Isso ocorre porque esses são eventos temporais e requerem que Deus esteja sujeito ao próprio tempo; mas, como o tempo é uma dimensão criada por Deus, Deus está acima e fora dele[9]. A Bíblia apoia isso em Malaquias 3:6, Números 23:19 e Tiago 1:17.

O resultado é de que Deus é imensuravelmente frio e sem emoção[10], muito mais como um processo automático do que como o Deus que muitas pessoas desejam que exista. Parece que o próprio conceito (tradicional) de Deus é autocontraditório: Ele é mais um princípio, inconsciente e incapaz de pensar. Esses e outros problemas teológicos levaram muitos à conclusão de que Deus simplesmente não existe.

6. O conceito de um Deus perfeito é impossível[11]

O conceito de um 'deus perfeito' contradiz nossa ideia da personalidade e dos impulsos de Deus. Se Deus é perfeito, não precisa de nada; nada pode desejar, porque um desejo denota uma falta, e um ser perfeito não tem falta de nada. Se Deus existe em um estado perfeito, a mudança é impossível. Qualquer mudança para um novo estado implica que o estado original de Deus não era o perfeito, afinal. Logo, um deus perfeito não muda[7],[10], e um ser imutável não tem emoções, nem sentimentos, nem "planos" — todos os seus planos existiram em seu estado perfeito desde o início, cocriados da mesma maneira que o próprio Deus. Sem mudanças de emoções ou desejos, um deus perfeito é um autômato congelado, com seu plano perfeito se desenrolando independentemente de ele agir, pensar, se mover ou sentir. O conceito de um deus perfeito também contradiz a realidade: a criação não é perfeita e a existência de sofrimento, violência e outros aspectos negativos significa que Deus não é benevolente e perfeito, pelo menos não de acordo com as definições morais ou funcionais de "bom" ou "perfeito".

7. Todas as características e propriedades de Deus não foram criadas, o que contradiz a ideia de um Deus Criador único

Se Deus criou qualquer coisa de acordo com um plano lógico elaborado, ou se Deus tinha o desejo de criar algo que não fosse puro caos aleatório, os pensamentos de Deus se enquadraram à lógica. Essa lógica permitiu a Deus pensar e criar, e o motivou. A lógica deve ter sido a primeira causa; mas, se a lógica é um requisito para Deus e existia antes que ele pudesse criar algo, Deus não pode ser a Causa Primeira e, portanto, o teísmo do deus criador é falso, e o ateísmo é verdadeiro.

Vimos quantas propriedades de Deus se contradizem e se revelam impossíveis. Não há possibilidade de qualquer ser existente com as propriedades que reconheceríamos como divinas.

Mas o conceito de um deus criador é ainda mais problemático ​​— pois esse ‘criador de tudo’ deve ter características inerentes não criadas por ele. Deve ser inteligente e racional (assim sendo, não pode ter criado a inteligência nem a lógica). Deve ter desejos, impulsos, motivações, um incrível mecanismo de pensamento onisciente, e não pode ter criado a si mesmo. Logo, parece impossível e falso dizer que “tudo deve ter uma causa, portanto há um deus”. Cada propriedade de Deus é em si uma contradição da ideia de que ele é o único criador. Todos esses traços próprios não criados levam a uma situação improvável onde um ser complicado e multifacetado é invocado para explicar um universo que é considerado muito complexo para ter sido criado por si mesmo. O próprio conceito (tradicional) de um deus criador se contradiz, é impossível e incoerente.

8. As suposições injustificadas do teísmo

Um deus sem causa é mais complicado do que um Big Bang sem causa. Quando se trata de comparar argumentos onde não há esperança de realmente se obter qualquer evidência física, existe uma heurística de longa data para ajudar a distinguir entre as teorias chamada navalha de Occam: depois que todas as evidências são contabilizadas, a teoria com menos suposições é a mais provável de ser verdadeira. Deus requer muitas propriedades e complexidades, como consciência, pensamento, personalidade, impulso criativo, amor, uma lógica interna ordenando seus pensamentos para que ele possa pensar de forma coerente e racional, memória etc.: todas essas propriedades devem ter derivado de algum lugar. Percebe-se que Deus é uma coisa muito mais complicada do que o Big Bang e as leis fundamentais do Universo.
"O Universo existe. Tanto teístas quanto ateus acreditam em uma causa sem causa antecedente: os ateus acham que o próprio Universo, com suas leis universais, características intrínsecas e propriedades, é o responsável por tudo, incluindo ele mesmo. No entanto, teístas acham ridículo que o Universo possa não ter surgido de causa alguma, e consideram tal suposição muito mais razoável: o Universo foi criado por Deus, cuja própria existência não demanda uma causa, e com a sua gama de características intrínsecas e valores. Colocando dessa forma, podemos ver que, embora os teístas acreditem em deus(es) e os ateus não, ambos têm algumas suposições semelhantes sobre como o Universo veio a existir.

Tanto teístas quanto ateus acreditam em algumas leis universais da lógica e/ou da natureza que existem como sendo a causa primeira, mas a posição teísta adiciona uma lista de traços de personalidade a essa causa primeira e chama o resultado de "Deus". Se essas suposições adicionais são justificadas ou não, é difícil de provar. Eis o motivo pelo qual dizemos que as suposições adicionais sob o teísmo são baseadas na fé. Essas suposições teístas incluem atributos sobre Deus: ele é todo-poderoso, onisciente, benevolente, tem memória, tem pensamentos racionais e ordenados que seguem linhas lógicas, é emocional, quer ser adorado, entre outras suposições particulares de diversas religiões. Ainda que fosse descoberto que a Causa Primeira deve ser um deus consciente, não seria razoável afirmar, automaticamente, que todas as outras suposições também são verdadeiras. Existem muitos conceitos variantes de deus na história[12], em parte porque não está claro quais propriedades e características Deus deveria ter. Em contrapartida a tudo isso, os ateus fazem muito menos suposições ad hoc sobre a realidade, ou seja, sua posição tem mais probabilidade de estar correta.” - "As Suposições sobre Deus e a Criação, de Teístas e Ateus", por Vexen Crabtree (2014)
"O cientista, entretanto, pode desejar desafiar a suposição de que uma mente infinita (Deus) é mais simples do que o universo. Em nossa experiência, a mente só existe em sistemas físicos que estão acima de um certo limite de complexidade. [...] Embora seja possível imaginar uma mente desencarnada, deve haver algum meio de expressão do padrão, e o padrão em si é complexo. Logo, pode-se argumentar que uma mente infinita é infinitamente complexa e, portanto, muito menos provável do que um universo. [...]

De acordo com nossa melhor compreensão científica do universo primordial, realmente parece que o universo começou no estado mais simples de todos – equilíbrio termodinâmico –, e que as estruturas complexas atualmente observadas e a atividade elaborada só apareceram posteriormente. Pode-se então argumentar que o universo primordial é, na verdade, a coisa mais simples que podemos imaginar." - "Deus e a Nova Física", por Paul Davies (1984)[13]

Notas de rodapé:

[1] James (1902). Localização digital 5808-5822. James diz que todos os argumentos usados pelos fiéis para a existência de Deus 'nada provam' e têm enfrentado centenas de anos de críticas sólidas. Adicionado à página em 22 de novembro de 2016.

[2] Kant (1785). p127.

[3] Voltaire (1764). p187.

[4] Stenger (2007).

[5] James (1902). Localização digital 5865.

[6] Park (2008). Capítulo 6 "O Deus Tsunami – Em que os inocentes sofrem" localização digital 1621. Por causa desse problema, o imam islâmico al-Ghazali simplesmente exigiu que o conceito de causa e efeito não fosse permitido, 'já que isso limitaria a liberdade de Allah de realizar quaisquer eventos que ele desejasse. Isso foi aceito como lei sagrada islâmica, permanecendo assim até hoje'.

[7] James (1902). p423.

[8] Davies (1984). Capítulo 9.

[9] Russell (1946). p449.

[10] Nukariya (1913). p56.

[11] Adicionado à página em 02 de dezembro de 2019.

[12] James (1902 ). Localização digital 484.

[13] Davies (1984). p49.

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