Tradução: Iran Filho

As teodiceias que fazem a alma visam derrotar o problema do mal. Em linhas gerais, eles argumentam que as virtudes morais (por exemplo, paciência, gentileza, compaixão, etc.) estão entre os maiores bens possíveis, e que Deus deve permitir o sofrimento a fim de nos dar a oportunidade de desenvolver a virtude (por exemplo, desenvolver a paciência requer passar por dificuldades; desenvolver coragem exige enfrentar o perigo; desenvolver compaixão exige experimentar sofrimento (para ter empatia) e ver e responder ao sofrimento dos outros, etc.). Portanto, Deus está justificado em permitir o mal ou o sofrimento para permitir esses bens.

O problema é que, como John Doris e outros argumentaram recentemente, há um conjunto robusto de dados sobre o comportamento humano que lança sérias dúvidas sobre a hipótese de que os humanos têm a capacidade de desenvolver virtude. E se estiver certo, então as teodiceias que fazem a alma são minadas.

Parece-me que o ponto também pode ser usado como base para um argumento contra o teísmo. Por um raciocínio semelhante, o teísmo prevê uma arena para escolhas morais livres que, por sua vez, servem como base para o desenvolvimento moral. Portanto, é surpreendente para o teísmo que a formação de caráter para a virtude seja ineficaz. Em contraste, tais fenômenos não surpreendem em nada o naturalismo. Pois, nessa hipótese, não há razão antecedente para pensar que a evolução visaria produzir corpos capazes de cultivar traços de caráter virtuosos estáveis. Portanto, a falta de dados de caráter fornece pelo menos algumas evidências confirmando o naturalismo vis-à-vis o teísmo.

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