Devo me converter ao
catolicismo por causa de todos os milagres?
Meu amigo Joe Schmid se converteu ao catolicismo. O mesmo aconteceu com muitos outros amigos
meus. Rendidos pela força irresistível dos argumentos de Ethan Muse, meus
amigos mais brilhantes estão se convertendo aos montes diante do avanço
constante dos relatos de milagres. E, no entanto, eu não me converti e, até
agora, não tenho planos de fazê-lo. Então, por que tantas pessoas estão se
convertendo? E por que eu não?
A principal
razão para tantas conversões são todos esses milagres católicos. Você pode
conferir o Substack de Ethan para saber mais sobre eles; de fato, o catolicismo
parece apresentar alguns milagres aparentes bastante impressionantes. São Padre
Pio ostentou estigmas por décadas — que cicatrizaram completamente após sua morte —, protagonizou diversas curas aparentemente milagrosas e registrou
temperaturas corporalmente inexplicáveis que ultrapassavam 49°C (120°F).
Em Lourdes,
depois que uma jovem chamada Bernadette teve uma visão de Maria — na qual ela
declarou: "Eu sou a Imaculada Conceição" —, houve uma série de curas aparentemente inexplicáveis pela medicina. E há muitos outros exemplos:
milagres eucarísticos, Fátima, etc. Sou muito mais cético em relação a Fátima e
não possuo, de forma alguma, a expertise necessária para investigar milagres
eucarísticos, mas admito: acho alguns dos milagres católicos inquietantes,
especialmente os de Lourdes e os de Padre Pio.
Então, por
que não planejo me converter? Não vou me perder nos detalhes minuciosos de
todos os argumentos (principalmente porque grande parte das questões históricas
depende de evidências de ordem superior e está além da minha capacidade de
análise). Vou apenas descrever, em linhas gerais, como estou encarando essa
questão.
Argumentos contra o Catolicismo
O primeiro
grande motivo: considero muito forte a argumentação contra o catolicismo. Os
três pontos que mais me deixam reticente são o inferno, a ética normativa e a
inerrância bíblica.
Quanto ao
inferno, os católicos sustentam a doutrina do tormento eterno e consciente.
Considero essa visão extremamente implausível — talvez uma das mais implausíveis que existem. Não acho nem um pouco plausível que o melhor mundo
que Deus poderia conceber seja aquele em que Ele condena multidões às chamas —
onde "o verme não morre" e o fogo do inferno as faz sofrer para
sempre.
É verdade que
talvez exista uma maneira de evitar a ideia de que as pessoas sofrem
infinitamente no inferno. Talvez o sofrimento diminua de intensidade, de modo
que a quantidade total seja finita. Mas, mesmo deixando de lado a questão do
sofrimento infinito, é muito implausível que esse seja o estado final das
pessoas — que Deus não consiga imaginar uma alternativa melhor.
No que diz
respeito à ética normativa, os católicos defendem uma espécie de absolutismo
quanto à imoralidade de certas categorias de atos. Esses ensinamentos são
obrigatórios, embora não sejam infalíveis. Exemplos incluem a masturbação, a fornicação, a homossexualidade e o ato de matar direta e voluntariamente um ser humano inocente (este último, provavelmente, é um ensinamento infalível). Isso
exigiria que eu acreditasse em quatro coisas distintas que considero muito
implausíveis:
1.
Deontologia, pelo menos no sentido mínimo de considerar que certos atos são
inadmissíveis, mesmo que tenham boas consequências.
2. A
falsidade de várias visões liberais da ética sexual.
3.
Absolutismo quanto às proibições morais.
4.
Absolutismo inclusive quanto às proibições da ética sexual.
Rejeitar a
opção 2 teria um custo, mas não intransponível. Rejeitar a 1 também seria
custoso. Acontece que acho a deontologia muito implausível. Ela sofre com
vários contraexemplos fatais. Mas é nos pontos 3 e 4 que a situação se complica
de verdade. Argumentos baseados em riscos destroem o absolutismo da deontologia. E, se há algo óbvio, é que, se a única maneira de impedir que
todas as pessoas da Terra fossem torturadas para sempre fosse um casal gay
amoroso manter relações sexuais homossexuais, então não seria errado que eles o
fizessem. Não consigo acreditar — numa perspectiva puramente psicológica — que
tal coisa seja falsa. É completamente absurdo. Estamos chegando a níveis de
implausibilidade comparáveis aos de cenários céticos.
Talvez
existam maneiras de evitar ter de afirmar essas coisas sendo católico,
recorrendo a algum tipo de acrobacia interpretativa. Mas, no mínimo, acho que
você terá de pagar um preço.
Eu sei que os
católicos têm argumentos sobre por que não devo confiar em minhas intuições
morais. Nossos corações estão obscurecidos pelo pecado e, portanto, não
conseguimos ver com clareza. Mas convenhamos: algumas visões são tão
implausíveis que, mesmo que se consiga contar uma história sobre como
poderíamos estar enganados a respeito delas, não pode ser racional afirmá-las.
Se você me disser que a lei da não-contradição é falsa — mesmo que apresente
uma explicação para desbancá-la —, eu tenho muito mais confiança na lei da não-contradição
do que na sua explicação. E acho muito mais óbvio que usar contraceptivos para
evitar uma tortura infinita seria permissível do que considero a própria lei da
não-contradição. Simplesmente não pode ser errado.
Por fim, a
última consideração: os católicos estão comprometidos com algum tipo de
inerrância bíblica. Ora, os detalhes exatos são discutíveis. A *Dei Verbum*
afirma, numa passagem que, em geral, é considerada isenta de erros:
“Ao compor os
livros sagrados, Deus escolheu homens e, enquanto estes agiam sob a ação d'Ele
(2), valeram-se de suas faculdades e capacidades, de modo que, com Ele agindo
neles e por meio deles (3), eles — como verdadeiros autores — registraram por
escrito tudo aquilo, e apenas aquilo, que Ele queria. (4)
Portanto,
visto que tudo o que os autores inspirados ou escritores sagrados afirmam deve
ser considerado como afirmado pelo Espírito Santo, segue-se que os livros da
Escritura devem ser reconhecidos como aqueles que ensinam, de modo firme, fiel
e sem erro, a verdade que Deus quis que fosse consignada nos escritos sagrados
(5) para a salvação. Por isso, “toda a Escritura é divinamente inspirada e útil
para ensinar a verdade e refutar o erro, para a correção dos costumes e a
disciplina na vida reta, a fim de que o homem de Deus seja eficiente e esteja
preparado para toda boa obra”” (2 Tm 3,16-17, texto grego).
Acredito que
a Bíblia esteja repleta de erros sobre moralidade, história, genealogia,
autoria e muito mais. Não acho plausível que o Espírito Santo afirmasse uma
mentira sobre o autor de Daniel, por exemplo, ou fizesse uma afirmação moral
bárbara. Embora um ou dois erros aparentes pudessem talvez ser explicados, eles
são numerosos e graves demais para que o catolicismo continue sendo plausível.
Essas são as
três considerações que mais me impactam. Mas há também outras questões. Por
exemplo, tenho quase certeza de que Jesus não declarou Pedro como Papa. Seria
estranho se esse fosse um dos atos mais importantes de sua vida, mas aparecesse
mencionado apenas em uma passagem altamente ambígua de Mateus. Além disso, o
fato de Pedro ser o Papa não surge em nenhum outro momento dos Evangelhos, nem
mesmo durante grandes disputas teológicas. Também tenho a impressão — sem ter
examinado a fundo as evidências históricas — de que não existem boas provas da
existência dos primeiros Papas; isso é reconhecido até mesmo por historiadores
católicos como Eamon Duffy. Acredito que esse também seja um consenso entre
historiadores seculares que não têm interesse direto na questão.
Da mesma
forma, tenho a impressão — sem ter investigado muito a fundo — de que a Igreja
mudou de posição em algumas questões importantes, como a possibilidade de
salvação fora da Igreja. A bula *Unam Sanctam* afirma: "Além disso,
declaramos, proclamamos e definimos que é absolutamente necessário para a
salvação que toda criatura humana esteja sujeita ao Pontífice Romano". É
verdade que há um debate complexo sobre isso e posso estar enganado, mas, à
primeira vista, parece realmente que houve uma mudança de posição. No entanto,
preciso ler mais a respeito.
Da mesma
forma, os dogmas marianos parecem ter sido inventados posteriormente. Não temos
evidências antigas que os sustentem. A primeira sugestão de que Maria foi
sempre virgem aparece em um texto apócrifo do século II chamado *Protoevangelho
de Tiago*, no qual o autor mentia ao afirmar ser Tiago. E, se Maria foi sempre
virgem, é estranho que a Bíblia se refira aos irmãos de Jesus sem dar qualquer
indício de que não eram irmãos biológicos. A palavra usada para irmão é
*adelphoi*; ela pode, ocasionalmente, referir-se a parentes mais distantes ou a
meio-irmãos. Mas seria muito estranho se o Novo Testamento continuasse falando
sobre os meio-irmãos de Jesus, usando a palavra padrão para "irmão", sem
nunca fazer um esclarecimento. A palavra *syngenes* era um termo perfeitamente
adequado para designar parentes. Mateus 1:25 diz que José "não teve
relações conjugais com ela até que ela desse à luz um filho", o que sugere
que eles tiveram relações conjugais posteriormente. E várias outras passagens
apontam para uma direção semelhante. A doutrina da Assunção corporal de Maria,
à qual os católicos estão dogmaticamente vinculados, surgiu ainda mais tarde!
Não quero sugerir que isso seja decisivo por si só. Mas realmente parece que muitas doutrinas católicas foram inventadas posteriormente, sem evidências históricas externas. Combine isso com dúvidas sobre a simplicidade divina, preocupaçõesgerais em relação ao cristianismo e outras doutrinas católicas estranhas, como a transubstanciação e a regeneração batismal, e torna-se muito difícil para mim acreditar no catolicismo. Os argumentos contrários me parecem muito sólidos.
Pior ainda: o
conjunto de argumentos contrários é cumulativo. Há muitos tipos diferentes de
considerações. Se os únicos argumentos contrários fossem de natureza normativa,
eu poderia suspeitar que minhas intuições morais são falhas. Mas, quando eles
também são bíblicos, teológicos e históricos — e quando dependem de muitos
tipos diferentes de intuições —, simplesmente parece difícil acreditar.
Milagres?
Em
contrapartida, existe apenas um argumento a favor do Catolicismo que realmente
me sensibiliza: o argumento dos milagres. Ora, os milagres são, de certa forma,
independentes entre si; há muitos tipos diferentes de milagres católicos. Mas,
se uma investigação rigorosa pode revelar um milagre aparentemente
inexplicável, é provável que também possa revelar vários outros. Se ficar
comprovado que existe uma explicação natural para todas as curas de Lourdes,
provavelmente haverá uma explicação natural para os milagres eucarísticos
também. Alguns desses milagres me impressionam, mas, se eu estiver enganado
quanto ao caráter impressionante do primeiro, é provável que também esteja
enganado quanto aos demais!
Talvez eu
seja um tanto ingênuo quando o assunto são milagres — subestimando o poder da
credulidade humana. Eis algumas coisas que, embora eu tenha quase certeza de
que não são inexplicáveis por meios naturais, me surpreenderam ao
conhecê-las:
1. Muitas
pessoas acreditaram que bruxas haviam roubado seus pênis. Como é possível
alguém se enganar sobre algo desse tipo?
2. Temos
inúmeros relatos sobre um notório charlatão chamado Sathya Sai Baba, que
realizava feitos inexplicáveis por meios naturais em plena luz do dia. As
pessoas afirmam que ele se teletransportava, lia mentes, materializava comida
magicamente, realizava a bilocação e exalava um odor misterioso perceptível a
longa distância — inclusive por céticos —, tal como o Padre Pio. E esses não
são os únicos milagres impressionantes atribuídos a Sai Baba!
3. Por todo o
Irã, muitas pessoas disseram ter visto o rosto de Khomeini na Lua.
4. Muitas crianças entram em transes profundos nos quais afirmam ver Maria, movem-se em
sincronia, não piscam por longos minutos e deixam de reagir à dor — mesmo em
casos em que a situação é claramente não milagrosa.
5. Crianças
relataram ter visto grupos de alienígenas descendo do céu. Elas não voltaram
atrás em suas afirmações (as crianças, não os alienígenas; embora eu suponha
que os alienígenas também não tenham voltado atrás). Da mesma forma, temos relatos de grupos que afirmam ter visto fadas.
6. O povo
Pirahã afirma ver espíritos em plena luz do dia — espíritos que pessoas de fora
não conseguem enxergar. Em um caso, um visitante da tribo viu um esqueleto dançando.
7. Há inúmeros
relatos de pessoas que olharam para o Sol e o viram girar, mover-se e mudar de
cor, além de constatarem que não era doloroso contemplá-lo.
8. Temos
relatos de curas sobrenaturais associadas a um curandeiro protestante que faz
falsas profecias e tem visões ligadas à teologia do Arrebatamento, o que levou
a muitas conversões. Mais detalhes em uma nota de rodapé.2
9. Temos
relatos de memórias de vidas passadas aparentemente inexplicáveis por meios
naturais. Algumas dessas memórias conduziram pessoas ao Cristianismo; portanto,
não é plausível atribuí-las a demônios enganadores, mesmo sob a ótica do
Catolicismo.
10. Um enorme pelotão de fuzilamento tentou executar o Báb, figura fundadora da Fé Bahá'í,
mas todos erraram o alvo.
Diante disso,
há algumas possibilidades diferentes:
1. Milagres
não acontecem de fato; somos muito bons em enganar a nós mesmos e, assim,
pensamos erroneamente que ocorreram vários milagres que, na verdade, não
aconteceram.
2. Milagres
acontecem, mas Deus não se importa muito com denominações e está até disposto a
realizar milagres que levam muitas pessoas a religiões falsas. Talvez ele não
se preocupe muito com o fato de que, digamos, curar pessoas em Lourdes tenha
levado gente ao Catolicismo.
3. Milagres
acontecem, mas apenas aqueles com implicações de validação divina são Católicos.
4. Milagres
acontecem, mas Deus os concede aos cristãos de forma bastante indiscriminada.
Assim, por exemplo, ele não se importa em permitir que católicos presenciem
grandes milagres que convertem pessoas ao cristianismo, da mesma forma que não
se importa em fazer com que aparições de Maria ocorram principalmente sobre
igrejas coptas, em vez de igrejas católicas.
Não considero
que o registro de milagres favoreça conclusivamente um caso em detrimento de outro.
Se posso estar enganado ao achar que as pessoas não acreditariam que bruxas
roubaram seus pênis, ou que viram o rosto de Khomeini na lua, ou que viram um
homem se teletransportar e ler mentes, ou que viram um espírito voando no céu,
e assim por diante, por que pensar que não posso estar enganado sobre os
milagres católicos? A diferença, em muitos casos, parece-me ser apenas de grau,
e não de natureza. Não acho que os milagres atribuídos ao Padre Pio sejam, à
primeira vista, muito mais impressionantes do que aqueles atribuídos a Sai Baba
— mas temos vídeos de Sai Baba, e fica bem claro que ele está apenas fazendo
truques de ilusionismo. Tampouco considero os milagres do Padre Pio muito mais
obviamente confirmatórios da fé do que, digamos, milagres relacionados à
reencarnação.
Além disso,
os milagres católicos mais impressionantes não parecem servir claramente como
prova de validação da fé. As curas em Lourdes e os milagres do Padre Pio são os
mais impressionantes, mas não está claro se eles validam distintamente o
catolicismo. Fátima e os milagres eucarísticos são os que mais claramente
servem como validação, mas é muito duvidoso que sejam realmente milagrosos
(tenho quase certeza de que Fátima não é, e não tenho conhecimento científico
suficiente para avaliar os milagres eucarísticos).
Então, em
linhas gerais, a situação é esta: deixando de lado os milagres, não acho nem um
pouco impressionante o argumento em favor do Catolicismo. As evidências sobre
milagres são razoáveis, mas não muito melhores do que as evidências de vários
outros milagres que não se encaixam bem na doutrina católica. Se os católicos
descartam esses outros milagres como não autênticos, então os deles também
correm o risco de serem descartados da mesma forma. Se os católicos admitem que
esses outros milagres são genuínos, então provavelmente os milagres católicos
também podem ser explicados por meios naturais. E alguns aparentes milagres bem
documentados simplesmente não parecem nem um pouco plausíveis, como aqueles
associados a Sai Baba.
Acho que sou
muito bom em filosofia. Mas sou comprovadamente péssimo em investigar milagres.
Errei repetidamente ao prever quais fenômenos bizarros as pessoas atestariam
como verdadeiros. Portanto, quando há um conflito entre julgamentos filosóficos
muito claros e alegações controversas de milagres — difíceis de investigar e
somadas a outras evidências históricas de ordem superior —, eu opto pelos
julgamentos filosóficos.
O Último Argumento
E quanto às outras evidências a favor
do catolicismo?
Obviamente,
não posso discutir tudo. Não tenho preparo para comentar a maior parte disso.
Grande parte das evidências para o catolicismo passa, primeiramente, por
defender a veracidade do cristianismo e, em seguida, por apresentar argumentos
complexos sobre por que, uma vez aceito o cristianismo, deve-se ser católico.
Existem disputas intrincadas sobre se o cânone católico de 73 livros é
historicamente mais plausível do que o cânone protestante de 66 livros.
Não falarei
sobre a maioria dessas questões. Simplesmente não tenho conhecimento suficiente
sobre a história relevante para essas disputas internas complexas. Eu sequer
aceito a tese do cristianismo; portanto, esses tipos de argumento não me
convencem muito. Em vez disso, discutirei apenas um argumento principal que
vejo como capaz de levar alguém a aderir ao catolicismo, e explicarei por que
ele não me convence.
O argumento
básico é o seguinte: faz sentido que Deus estabeleça uma Igreja na Terra.
Tratar-se-ia de uma instituição visível e específica destinada a resolver
disputas. Se Deus se importa profundamente em permitir que as pessoas conheçam
a verdade, faz sentido que Ele institua um órgão de autoridade com poder para
liderar e promulgar ensinamentos de forma infalível. Em outras religiões, não
existe propriamente um equivalente plausível.
Para os
protestantes, não há um equivalente plausível. Não existe um mecanismo claro
para que os protestantes resolvam disputas sobre as Escrituras. Se um
protestante está equivocado, além de tentar convencê-lo de seu erro — o que é
difícil, visto que as evidências bíblicas são frequentemente insuficientes para
definir questões importantes —, não há uma maneira clara de resolver a
divergência.
E quanto aos
outros grupos que afirmam ser a única Igreja verdadeira? Bem, a maioria deles
tem cerca de doze membros. Enquanto a Igreja Católica tem uma pretensão
legítima de ser católica (universal), as Igrejas Ortodoxas Orientais e a Igreja
Assíria do Oriente não o fazem. Mesmo as Igrejas Ortodoxas do Oriente são
etnicamente restritas e fragmentadas demais para realizar concílios ou fazer
pronunciamentos com autoridade.
Não acho que
esse argumento seja absurdo. Mas ele não me convence muito.
É verdade
que, *a priori*, não é nada improvável que Deus estabeleça uma instituição na
Terra. Mas devemos considerar o conjunto das evidências. É bastante
surpreendente que Deus estabelecesse uma instituição terrena de maneira um
tanto indireta e pouco clara, de modo que multidões de pessoas, tentando
desesperadamente identificar a Igreja fundada por Cristo, sejam levadas ao erro
— mesmo após examinarem cuidadosamente as evidências históricas.
É igualmente
surpreendente que a forma como Ele estabeleceu a Igreja tenha sido por meio de
uma declaração ambígua em apenas um dos Evangelhos. E que houvesse tão poucas
evidências históricas claras sobre a criação da Igreja, a ponto de ser, no
mínimo, discutível se tal instituição existiu de fato nos primórdios do
cristianismo.
É igualmente
surpreendente que se trate de uma instituição que só esclareceu sua capacidade
de falar de forma infalível em 1870! Que doutrinas importantes tenham
permanecido sem definição por longos períodos; que o cânone bíblico só tenha
sido definido no século XVI; e que os dogmas marianos só tenham sido declarados
definitivamente após quase dois mil anos. Que nem sequer fique claro quando ela
está falando de forma infalível, gerando disputas entre teólogos católicos
renomados sobre quais doutrinas são, de fato, infalíveis.
Repito: *a
priori*, não me choca o fato de Deus estabelecer algum tipo de instituição na
Terra. No entanto, ao considerar o conjunto de fatos sobre a Igreja Católica —
a conduta escandalosa de vários papas, a tardia definição de suas doutrinas,
sua origem histórica incerta —, torna-se muito menos plausível, *a priori*, que
Deus estabelecesse esse tipo de instituição.
Além disso, o
simples fato de ser algo bom se Deus estabelecesse uma instituição de
determinado tipo não significa que seja provável que Ele o faça. Há muitas
coisas que poderiam ser feitas e que parecem boas, mas que Deus não realiza. À
primeira vista, seria bom curar a malária; se Jesus não trouxe a cura para a
malária — nem realizou inúmeras outras ações benéficas —, por que imaginar que
Ele estabeleceria o papado, a menos que houvesse uma probabilidade
significativa para tal?
Sabemos que
Deus, se existe, concede aos seres humanos ampla liberdade para cometer erros
graves. Ele até deu àqueles que escreveram os livros da Bíblia a liberdade de incluir
passagens sobre como é glorioso despedaçar bebês babilônios contra as rochas.
Assim, não é de surpreender que também sejamos capazes de cometer erros
teológicos graves na ausência de uma instituição que ofereça uma correção
definitiva.
Conclusão
Essas são
questões importantes. Se o catolicismo for verdadeiro, então os não católicos
correm um perigo terrível de enfrentar as chamas do tormento eterno. Vale a
pena examinar essa questão com atenção. Mas, no fim das contas, considero
psicologicamente impossível acreditar nisso; acredito que só deveria me
converter se realmente estivesse convencido de sua veracidade, em vez de
simplesmente fazer uma aposta. Contudo, se você é teísta — ou mesmo se
considera o teísmo minimamente plausível —, vale a pena orar regularmente a
Deus para que Ele o guie a fazer o que é bom e a conhecer a verdade.
Notas
1 Isso vem do
capítulo de Caleb Jackson.
2 De uma fonte
sobre Maria Woodworth-Etter:
"Em seus
vários livros e nas reportagens da época, há abundantes testemunhos de pessoas com
deficiência física correndo, cânceres desaparecendo, órgãos deteriorados sendo
restaurados, surdos ouvindo e doentes mentais se recuperando.
…
‘Uma irmã
havia sofrido um acidente cinco anos antes. A musculatura de seu quadril havia
atrofiado e, por três anos, ela não saía da cama. Vi que ela estava em
condições terríveis, mas sabia que não há nada difícil demais para o Senhor.
Disse-lhe para depositar sua confiança n’Ele; então orei, e ela se levantou,
perfeitamente curada de todas as suas enfermidades, e saiu pela casa gritando
de alegria.’"
"Ao
comentar esses transes, em 1885, um repórter do jornal *Cincinnati Enquirer*
escreveu:
Procurei
apresentar um relato verdadeiro e imparcial do notável avivamento religioso na
Igreja Metodista Episcopal desta cidade; sinto-me impressionado com a magnitude
do acontecimento — agora mais do que nunca — e estou convencido de que
descrever com precisão as cenas ocorridas em cada reunião está além da
capacidade da língua ou da pena. Dezenas de pessoas caíam ao chão nessas
reuniões e, qualquer que fosse a posição assumida por seus membros ou corpo,
ali permaneciam imóveis como estátuas — às vezes com a mão erguida bem acima da
cabeça, os olhos bem abertos e sem que um único músculo do corpo se movesse; estavam
imóveis como na morte. 18
...
Woodworth
orava pelos enfermos em suas reuniões. Relato após relato chegava,
testemunhando curas divinas. Em 1914, o Dr. John Bowen compareceu a uma das
reuniões de Woodworth. Dois anos antes, ele havia sido arremessado de uma
charrete e sofrido ferimentos graves. Tais lesões incluíam fratura no crânio,
fratura na fíbula direita e lesões internas. Com o tempo, seu estado piorou: o
coração dilatou e a pele tornou-se azulada devido a problemas de circulação.
Sendo médico, ele sabia que não viveria muito tempo. Outros médicos confirmaram
esse prognóstico. Na reunião de avivamento, Woodworth orou por ele, e ele foi
curado instantaneamente. Dois anos depois, ele escreveu que continuava curado e
que havia visto outras pessoas serem curadas de enfermidades..." ... como
tuberculose, pelagra, doença de Bright, câncer, paralisia, cegueira e problemas
nas válvulas cardíacas. Ela continuou a acompanhar a situação dessas pessoas e
constatou que, após dois anos, elas permaneciam curadas.
…
O *Topeka
Daily Capital* afirmou que ela:
… é, sem
dúvida, uma mulher cristã muito sincera e altruísta, que dedica sua vida a
conduzir homens e mulheres à fé em Cristo. Ela não reivindica para si nenhum
poder incomum. Seus discursos são simples, contundentes e fervorosos, tocando o
coração das pessoas comuns. Ela afirma que o "poder" — que levava
vários convertidos a sofrer convulsões ou entrar em transe — é a manifestação
do Espírito divino.50
Outra pessoa
da imprensa a elogiar Woodworth foi C. E. Kalb. Ele escreveu:
“Gostaria de
dizer algumas palavras sobre o trabalho da Sra. Woodworth. Quando ela realizou
suas reuniões em Springfield, Illinois, eu era editor de cidade do *Daily
Monitor*. Fui às reuniões dela e, embora eu não fosse um cristão — apenas um
membro de igreja —, senti que ela estava pregando o verdadeiro Evangelho... As
pessoas ali entravam em transe e muitas gritavam. Eu as via entrando em transe
mais rápido do que conseguia contar, em todas as partes da plateia. Isso foi há
três anos; nenhuma delas enlouqueceu; pelo contrário, tornaram-se pessoas
inteligentes, sóbrias e trabalhadoras, e continuam cheias do Espírito Santo.51
…
Com muitas
pessoas vindo a Cristo e sendo cheias do Espírito Santo, surgiu a necessidade
de batizar esses convertidos. Em uma ocasião, em agosto de 1891, noventa e um
membros da igreja de Woodworth — a Igreja de Deus — foram batizados por imersão
no rio Kansas. Essa cena foi acompanhada por uma multidão de cerca de cinco mil
pessoas.52
Os
convertidos continuaram a ser batizados, e a Sra. Woodworth prosseguiu viajando
de cidade em cidade com sua tenda. Em 1894, o *Columbus Gazette* relatou:
"Pessoas aflitas com todo tipo de doença vêm na esperança de obter alívio,
e muitas partem declarando-se curadas". Cânceres, tumores, casos graves de
reumatismo, doença de Bright, problemas cardíacos — enfim, tudo o que se possa
incluir na lista de males que afligem a humanidade — foram levados a essa
mulher maravilhosa; ela afirma, e os pacientes asseguram, que eles foram
completamente curados.53 Uma mulher desesperada, diagnosticada com câncer — a
quem quinze médicos haviam desenganado e que não conseguia comer nem se sentar
—, compareceu a uma reunião. Ela foi curada e, mais tarde, viu-se capaz de
comer com apetite e de ir a pé às reuniões.”54
Ela fez uma
profecia que não se concretizou em 1890, segundo a qual “São Francisco seria
destruída por um terremoto e um maremoto em 1890, fazendo com que cerca de
1.000 pessoas fugissem da cidade”. Sua pregação começou quando ela teve uma
visão que a comissionava a pregar. Ela também teve, repetidamente, revelações
que confirmavam doutrinas distintivas do pentecostalismo. Em seu livro *A Diary
of Signs and Wonders* (Um Diário de Sinais e Maravilhas), ela escreve:
“O querido
Salvador esteve ao meu lado certa noite, em uma visão, e falou comigo face a
face.” “Apareceu na parede uma grande Bíblia aberta, e os versículos se
destacavam em letras em relevo... Olhei e pude compreender tudo.” “Vá, e eu
estarei com você” — resposta dada a cada desculpa apresentada. Sua conclusão:
“Vi naquela visão mais do que poderia ter aprendido em anos de estudo árduo” —
uma revelação que explicitamente se sobrepõe à formação e à educação. Sua
defesa do ministério feminino baseada em Joel 2 aparece na página 31 (“sobre os
meus servos e as minhas servas, naqueles dias, derramarei o meu Espírito”).
Curiosamente, ela também relata o aspecto da advertência: quando resistiu, “as
palavras pareciam vir até mim: ‘Você me nega diante dos homens, e eu a negarei
diante de meu Pai e dos santos anjos’” (p. 30) — assim, a revelação não apenas
permite sua pregação, mas torna a recusa algo passível de condenação.
E:
“O Senhor
derramou o Espírito Santo como prometeu... Ele disse que daria as chuvas
tardias do Espírito antes que chegasse o grande dia do Senhor”, e “Ele me
mostrou que estamos nos últimos dias”.
E:
“O Senhor me
mostrou que a Visão diz respeito à Breve Vinda de Cristo... Ele me mostrou que
me selaria com — e me revelaria — o seu glorioso plano dos séculos; o desfecho
desta Colheita; o chamado e a preparação da Noiva; a Breve Vinda de Cristo, o
Noivo; que a Porta dos Gentios logo se fechará; o grande tempo de tribulação
que se seguirá ao Arrebatamento ou à Ascensão da Noiva”
E:
“o glorioso
Reino Milenar, que durará mil anos”.
E:
“Muitos
estavam sob convicção [de pecado], mas confiavam no batismo nas águas, na
confirmação ou na membresia da igreja; mas, a menos que portem a luz de Deus,
são piores do que um pecador declarado.”

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